História

A Marinha Mercante brasileira ou “Marítima-Logística” brasileira (termo militar da política de segurança nacional), teve seus tempos áureos das décadas de 60 a 80, quando a indústria naval brasileira estava a pleno vapor, tendo chegado a ser o segundo maior construtor de navios do mundo (perdendo apenas para o Japão).

Nessa época, o Brasil tinha grandes armadores, e detinha a sua soberania constitucional (vide a Constituição Federal de 1988), com a extinta armadoria-de-armadores do Lloyd Brasileiro( tentativa de soerguimento), terminou a soberania(Constitucional de 1988), que transportavam a importação e a exportação de nossa produção nacional, para todas as partes do mundo.

Na década de 90, mais precisamente em 1997, se assistiu ao pior momento da Marinha Mercante. As diversas frota(s) nacionais se reduziram drasticamente a alguns navios estrangeiros que ainda teimavam e que ainda mantinham algumas rotas de baixo custo esporadicamente atendidas; quem quisesse o produto brasileiro que o buscasse, senão apodreceriam nos portos por falta de transportes, prejuízos e mais prejuízos aos empresários brasileiros e estrangeiros; várias grandes companhias brasileiras, ligadas diretamente à navegação ou não, faliram por falta de apoio governamental (pois as rotas de navegação são concessões); estaleiros fecharam suas portas parando a fabricação de embarcações no Brasil e praticamente jogando fora todo o desenvolvimento tecnológico adquirido nos anos anteriores. Nessa época, as Escolas de Formação de Oficiais da Marinha Mercante EFOMM do Rio de Janeiro e de Belém estavam formando, juntas, turmas que somavam apenas, no máximo, 30 novos Oficiais, o que satisfaz à armação de apenas um navio, se levarmos em conta o total de anos de formação desses oficiais na carreira.

Propulsor Histórico na sede da ASSOMMM

O PROPULSOR

A ligação comercial entre Trieste e Veneza era, em inícios, do século XIX, uma das mais importantes de entre as que existiam no Mediterrâneo. Esse tráfego marítimo era controlado por um inglês, William Morgan, que, para o efeito, possuía um navio a vapor. Não se tratava de uma ligação rápida: o sistema de roda então existente fazia com que grande parte do trabalho mecânico desenvolvido pelas máquinas se perdesse quando esse dispositivo ficava fora de água. Daí as muitas reclamações dos comerciantes das duas cidades cada vez mais interessados em desenvolver os seus negócios com maior rapidez.


É então, que entra em cena Josef Ressel, o paradigma do inventor incapaz de rentabilizar o seu notável engenho para as invenções.
Ressel era guarda florestal, depois de não ter conseguido acabar os seus estudos universitários em Viena devido à falta de recursos da família. Responsável pela selecção das árvores a abater e a logística da sua entrega em Veneza para alimentar os estaleiros da Marinha Imperial, ele irritava visivelmente os superiores com a sua mania para melhorar as ferramentas e utensílios de trabalho. O seu escasso tempo livre era dispendido em novas invenções.
Uma noite, durante uma festa, ele olha para um saco-rolhas e tem o golpe de génio de imaginar o que seria essa mesma forma adaptada a uma hélice capaz de garantir uma propulsão marítima mais eficaz.
Ele julga natural, que Morgan se interesse por tal inovação e procura-o em busca de financiamento das suas experiências. No entanto, o homem de negócios pressente quão arriscada fica a sua fonte de rendimento e nega tal colaboração.
É outro comerciante de Trieste, Fontana, quem lhe garante esse apoio, constituindo-se uma sociedade entre ambos.
Segue-se, porém, uma época terrível para o inventor: a mulher morre de tuberculose, deixando-lhe a responsabilidade quanto á educação de três filhos menores. Um destes também não tarda em morrer. E, na sequência de intrigas de Morgan, sai um decreto imperial a proibi-lo terminantemente a prosseguir a sua actividade.
Deslocando-se à corte de Viena, Ressel consegue demover o primeiro-ministro de manter essa proibição embora tenha de respeitar uma condição, que se revelará desastrosa: em vez de recorrer a máquinas a vapor inglesas – as mais fiáveis de então – Ressel terá de recorrer às que forem construídas localmente, na fábrica de um barão austríaco.
Ele vive também a ilusão de expandir o seu negócio para França, mas os negociantes franceses, que o contactam só se interessam por lhe roubar a patente e construir hélices sem lha garantirem qualquer compensação. Em Paris, Ressel quase cai na indigência, sem se mostrar capaz de pagar o hotel ou de arranjar bilhete de regresso a Trieste.
Quando cheg à sua cidade, Fontana está com vontade de se retirar da sociedade. É in extremis, que Ressel consegue garantir o financiamento para uma experiência a bordo de um pequeno navio para o qual são convidadas as autoridades mais representativas da cidade.
Ocorre, porém, o desastre: a máquina a vapor gripa e, embora nos escasso minutos em que pudera mostrar o seu desempenho a hélice garantira uma excelente velocidade, Ressel sai desacreditado e definitivamente abandonado por Fontana.
Cai, então, em definitiva desgraça: transferido para região afastada e insalubre, o que ganha mal dá para o sustento de uma família mais numerosa: da sua segunda mulher já gerara mais sete filhos.
Ainda assim não desiste do seu afã de inventar novos dispositivos: além de ferramentas e alfaias agrícolas mais eficazes é dele o invento de um tipo de rolamento de esferas.
Em 1843 muda de emprego, comprometendo-se com a Marinha de Guerra, mas as suas sugestões mais audazes (exemplo disso é a substituição da madeira por ferro na quilha de um navio) são completamente desprezadas.

Ressel acaba por morrer em Liubliana em 1857 e só depois viu valorizado o seu labor.